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19 de novembro de 2009

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A jovem camponesa que faz versos.
Não os passa ao papel porque não sabe escrever,
mas diz que os preserva em cada árvore que vê,
e na chuva que cai,
e no sol que se põe.
Uma pequena erva pode ser um poema,
ou a água que corre no leito de um ribeiro
onde uma luz se esconde ou uma sombra vibra.

Como cuidar da imperfeição
senão sofrendo pelo que é perfeito?

Às vezes – diz ela -, passa-me pela cabeça
uma onda de música que não tem lugar
e eu sei pertencer a um mistério sem nome
que dói no coração muito devagar.
Amadeu Baptista in O bosque cintilante

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6 de novembro de 2009

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Existem almas que nos fazem acreditar que a alma existe_________

um dia a vida entra por um fio. e tudo o que era legítimo passa a síntese. in.concreta
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e no espaço íngreme onde nos prendemos resta o sorriso que fecha a matéria e abre o lírico. um dia a vida é um luxo.

Isabel Mendes Ferreira in Piano
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Eu queria, sem usar de nenhum esforço, não ser mais que o receptor da vaga do infinito, e avançar nos caminhos do acaso, apenas levada pelo sopro das vozes interiores.

Eu queria esquecer o que sei e penso, não mais pedir nada, deixar de querer, e acolher com um sorriso as rosas que a tua mão fez cair no meu regaço.

Ó perfume das coisas que não alcançamos,
Doçura das felicidades imerecidas,
Beleza das verdades que o nosso pensamento não criou...

Marguerite Yourcenar in O TEMPO esse grande escultor
do capítulo
"Em memória de Diotima: Jeanne de Vietinghoff", palavras de J.V.
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23 de setembro de 2009

POST SCRIPTUM




Não é um recado de ideias que te transmito e sim uma instintiva volúpia daquilo que está escondido na natureza e que adivinho. E esta é uma festa de palavras. Escrevo em signos que são mais um gesto que voz.
Clarice Lispector
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"«Há no entendimento um ponto cego» (Bataille). Há uma verdade além da verdade, há uma beleza além da beleza, há um mundo além do mundo e só aí ele existe, como o belo e o verdadeiro. Espírito informe de uma fugitiva presença, luz incerta que se acende por dentro do que é iluminado, invisível realidade visível, é quando vem a ti o raro privilégio de assistires ao encontro desse espírito e do que o manifesta, é quando o visível e o verificável se encontram com o que se furta à nossa verificação e visibilidade, é então que a verdade se incendeia de fulgor, o belo de beleza. Mas desfeito o encontro, o que nos fica é a tela e as tintas, mesmo as linhas e as cores, mesmo o acerto irrecusável do que as harmonizou. O que nos fica é a harmonia e não a música dela, o que fica é o rigor mas não a sua indemonstrabilidade. O que fica é o real e toda a sua exactidão, mas não o irreal desse real que é o único real, por já não ter para lá. O que fica dessa porta de acesso não é uma porta fechada mas uma porta aberta, como a de uma parede que se ergue de uma casa que se desmoronou, não dá acesso a nada. Para este desencontro ou para quando o encontro já não pode realizar-se, nós dizemos de um quadro ou de uma verdade que se nos gastaram. Mas nenhum deles se nos gastou, porque estão intactos para sempre.
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Que se alterou no quadro inalterável? O que se gastou foi o impulso que nos ergueu. Ao ponto a que subimos já não subimos e era onde subimos que a beleza morava e a evidência. Do real ao irreal, que era o seu exacto real, a distância é agora intransponível. E no entanto porquê? Quantas vezes vos interrogo imagens perdidas da minha plenitude. Quantas vezes em gritos dolorosos que não solto, porque eles são maiores que isso, ou numa comoção velada de piedade, ou simplesmente com um olhar estranho e parado por sobre todas as comoções e gritos. Quantas vezes me pergunto como foi possível? Então entristeço-me, mas a minha tristeza é árida, sem o reflexo de uma pena sobre mim. E muitas vezes assim a não reconheço como triste. Há a tristeza desesperada, a melancólica a indiferente ou incaracterística; e há enfim a que se define pela serenidade."

in Invocação ao meu corpo de Vergílio Ferreira
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Chegado o tempo dos frutos maduros
recolho-me ao silêncio
da fermentação das folhas.
_____não mais que silêncio da boca seja a palavra do gesto. amoroso.



A todos os que me acompanharam neste olhar, pelo vosso afecto e amizade Beijo-vos grata. Gratíssima.

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1 de outubro de 2007

#1 Nozes

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